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terça-feira, 21 de junho de 2011

Em 1981 Chico Buarque traduziu de forma genial o sentimento de muitas mães carentes de afeto, dinheiro e intelectualidade. E agora, 30 anos depois?


O meu guri

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assalto está um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri

Composição: Chico Buarque de Holanda -1981 / Foto:theurbanearth.wordpress.com

Após a leitura dessa dura realidade, chegou o momento de ver e ouvir tamanha criação melodia e poética em forma de protesto.

http://www.youtube.com/watch?v=xEEkIpoW2d0&feature=fvsr

Há 30 anos que Chico Buarque lançou este trabalho em nível nacional, certamente, para chamar a atenção dos poderosos da época para o tema em pauta. O que mudaram nessas três décadas? Se não houve tanto avanço, onde está o problema?








segunda-feira, 20 de junho de 2011

Gregório de Matos, poeta barroco do século XVII, conhecido como boca do inferno pelas suas poesias satíricas, arrasou ao poetizar a figura feminina

À mesma dona Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara!

Isso é ser flor, e Anjo juntamente:

Ser Angélica flor, e Anjo florente,

Em quem, senão em vós, se uniformara:

Quem vira uma tal flor, que a não cortara,

De verde pé, da rama florescente;

E quem um Anjo vira tão luzente;

Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como Anjo sois dos meus altares,

Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,

Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que por bela, e por galharda,

Posto que os Anjos nunca dão pesares,

Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

Gregório de Matos

Desenho: http://desenhoslapis.arteblog.com.br/421596/Uma-Homenagem/
Poema: http://iaracaju.infonet.com.br/users/asj/poesias.htm

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que um grande escritor do século XIX escreveu sobre a mulher


"Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo,
mas são fáceis de se conseguir.

Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas,
quando na verdade, eles estão errados...

Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar,
aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."

Machado de Assis